Frustração

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Palavras, apenas
Palavras pequenas.
Palavras, palavras,
Palavras, palavras,
Palavras ao vento."

O inevitável

quinta-feira, 7 de julho de 2011

É fato, meu coração corre perigo. Descaradamente, ele traz flores roubadas pra enfeitar teu dia, tua mesa, tua casa. E faz festa quando te vê chegar. E dá risada pra afrontar tua tristeza. E conta estrelas, como se fossem vaga-lumes. E se reveste de luz. E redescobre o fogo, ainda que nele e por ele seja consumido. E colore o céu de azul, com um sol bem amarelo, pra preencher teus dias nublados. E desafia o tempo, retardando cada momento, pra não te ver passar. E se faz bobo, e se faz contente, e se faz amante. E canta desafinado, porque “no peito dos desafinados também bate um coração”. E acelera descompassado, atravessando o samba pra te acompanhar. E tenta juntar os pedaços de você, que nem você mesmo sabe onde perdeu. E fica te olhando. E espera, enquanto você está muito ocupado tentando se refazer. Mesmo assim, todos os dias, ele espera. E se reinventa. E continua te olhando... De repente, ele se lembra dos pedaços que também deixou pelo caminho. Lembra de todas as vezes que ele próprio foi feito em partes. E ele até prometeria não te fazer mal algum, mas aí, cheio de princípios, lembra que promessas são coisas com as quais não se pode faltar. É que pra te recompor, ele se consome um pouquinho mais a cada dia. E ele tem medo. E se exaspera. E adoece. E definha. Tum-Tum. Até que sem esperanças, ele se cansa. Então piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Inevitavelmente, ele pára.

Palavras vãs e coisas sem sentido

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por favor, não diga mais nada. Não fale, porque, inexplicavelmente, dói demais ouvir. Passado o ímpeto, dói o enorme vazio que as palavras deixam, onde antes, na ausência de algo mais interessante, havia ao menos paz. Depois, é injusto que eu responda sozinha pela inconseqüência alheia. Tava tudo tranqüilo no meu mundo. Com que direito você vem e estraga tudo? Com que direito você, que mal chegou, invade as pequenas frestas que por descuido ou propositadamente não fechei? Não fale. Qualquer palavra proferida pode parecer inapropriada. Sobre uma coisa você estava certo, os sentimentos em mim costumam ser tão profundos que, às vezes, é quase insuportável senti-los. Eles escapam involuntariamente pelos poros e nada do que eu diga ou faça consegue exterioriza-los por completo. É... por incrível que pareça, eu sinto. Eu sinto. E muito. E sinto por sentir tanto. Aparentemente, no momento, eu sinto sozinha. E isso dói. Poderia ser diferente. Então não fale. Não venha dizer o que sabe ou o que não sabe sobre mim. Porque de mim eu já sei. Era de você que eu queria saber. Porque mais uma vez será em vão. Porque sempre existirá uma história. Sempre existirá um advérbio adversativo seguido de reticências, que por sua vez deixam infinitas possibilidades, onde pra mim sempre se confirma a mais surreal e a menos favorável delas. Sem sentimentos nobres, sem aqueles não tão nobres também. É exatamente igual a música, eu vi você passar por mim, levando o meu encanto. Me restou ficar aqui sendo auto-indulgente, pelo menos uma vez na vida, pra saber qual é a sensação. Até que tudo passe. Porque sempre passa. Não porque é você, mas porque sou eu.

Seria trágico se não fosse cômico

sábado, 21 de maio de 2011

O fato é que existe uma situação com a qual, definitivamente não me sinto à vontade: a morte. Por motivos óbvios, é algo com o qual não sei lidar. Nunca sei o que dizer, porque acho que nada do que eu diga vai aplacar a dor de quem perdeu alguém. Não sei pra onde olhar, nem onde colocar as mãos. Um velório pra mim é quase uma tortura. Vai parecer frio, mas explico. É que o velório é um registro prolongado da dor dos que ficaram. Um registro da sensação de impotência diante dos fatos. Você fica ali remoendo, pensando no quanto a vida pode ser justa ou injusta. E o pior de tudo: você é obrigado a encarar o fato de que um dia também morrerá. E, sinceramente, isso me dá muito medo. Mas o fato é que, pelo menos no velório, todo mundo se ocupa da vida (ou da morte) do morto. À você é concedido o direito de entrar muda(o) e sair calada(o). Ultimamente, outro tipo de evento social, se é que podemos chamar assim, tem me incomodado muito mais que o velório. A festa de casamento. Festa de casamento, quando se está solteira, pode ser um verdadeiro desastre. Não pelos noivos, ou pela festa em si. Tá tudo lindo. Todo mundo brindando. Mas dependendo do seu humor, a noite se resumirá a distribuir sorrisos amarelos e responder positivamente a todas as bobagens que for obrigada a ouvir. Quer ver só? Você tá lá, na sua. Pode estar impecável. Uma verdadeira diva. Sempre tem aquele tio chato que diz: “Você ta mais forte ?!” (Leia-se: você está mais gorda). Aí você tem vontade de responder: "Tenho me esforçado. Quando chegar no teu tipo (barril), eu paro.” Mas você se contém, afinal estamos numa festa, solta o primeiro “Pois é, ?!", e dá um daqueles sorrisos amarelos. Nada vai abalar o seu bom humor. Aí você assiste a cerimônia. Fica por ali, ouvindo a música, se sentindo um peixe fora d’água. Porque em festa de casamento parece que todo mundo só anda aos pares. Como de propósito, somente pra afrontar a tua solidão. Aí chega outro tio, bem legal, e dispara: “Cadê o namorado? Quando é que você vai trazer um?” Pois é, ?! Cadê o namorado? Me pergunto isso todo dia. Pode parecer um pouco de desespero, então você sorri (amarelo)novamente e responde, com uma ponta de esperança, que no próximo casamento ele virá. Hora da noiva jogar o buquê. Sua mãe olha meio cúmplice: “Você vai tentar pegar o buquê?” Para ela não tem por que mentir. “Não sei mãe, vai que eu pegue mesmo. E vai que dá certo”. Vocês riem juntas. Nem tudo está perdido numa festa de casamento. De repente, aquele carinha lindo, de óculos, que você viu na igreja, também sozinho, te chama pra dançar. Vocês dançam. Certo que começa a tocar lambada e você não dança lambada desde os oito anos de idade. Mas tudo bem. Alguns descompassos, nenhuma queda. O que já é um grande feito. Entabulam uma conversa. Amenidades, coisas vãs. Tudo bacana, até a fatídica hora do “Quantos anos você tem?” A cada dia, me convenço mais de que a idade das mulheres incomoda mais aos homens que a elas mesmas. Você mantém a classe e devolve: “Quantos anos você acha que eu tenho?”. Ele te dá 21 anos. Existem algumas hipóteses para tal resposta: 1º O creme anti-sinais está fazendo um puta efeito; 2º O óculos embaçado, a maquiagem e o efeito da luz noturna, resultaram naquela ilusão típica ( a noite todos os gatos são pardos), sem falar no efeito do álcool; 3º Ele viu que estava prestes a botar tudo a perder. Você sorri e fala a sua idade. Pra você, ela (ainda) não se configura como um problema. Aí pronto, o cara mete o dedo no nariz. “Então você é mais velha que eu? louco pra descobrir o que você pode me ensinar”. Ele pediu. Deus é testemunha de que você tentou, mas ele pediu. Primeiro que você não é professora. Segundo que velha é a estrada. “Pois é, ? Não sei se sou mais velha. Não perguntei a sua idade, mas deduzi pela sua conversa e pela sua reação que devo ser.” Se nada tá dando certo, você tem ao menos o direito de rir um pouco, nem que seja da sua própria desgraça. O garoto (agora que você se sente quase senil) ainda insiste em demonstrar toda a sua virilidade, mas o sino bate meia-noite. Hora da Cinderela se transformar em Gata Borralheira. Tentando desesperadamente chegar até a porta de saída, você encontra aquela tia. Toda família tem “aquela” tia. Ela pergunta quem era o menino com quem você dançava. “Eu vi, viu? Ele era bonito.” Você solta o último sorriso amarelo da noite, acompanhado de um “Pois é, ?”. Pra finalizar a história, como desgraça pouca é bobagem, você reencontra um ex, com quem você não falava há pelo menos 10 anos. Ele não pergunta como você está? Se você fez alguma grande descoberta que trouxe alguma contribuição para humanidade? Ele pergunta se você casou. Aquela altura, você responde que sim, que casou, casou duas vezes e enviuvou nas duas. Eles morreram misteriosamente, em dias de TPM, nos quais coincidentemente você se encontra. Os corpos nunca foram encontrados. Ele ri, sem perder a pose, diz que a mulherada hoje em dia tá voando em cima, mas que no momento está solteiro, por opção. “Pois é, ?!” No que depender de mim, vai continuar assim. As badaladas do sino continuam. Au revoir para todos. Você corre , se certificando, a cada passo, de que não deixou nenhum sapato para trás.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Deixa estar que o que for pra ser vigora."

Não se afobe, não...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Que nada é pra já...





... Amores serão sempre amáveis...

Aquele sobre o futebol

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Antes que alguém mais perca tempo com comentários futebolísticos ou futeboleiros, como queiram, deixo registrado que foi-se o tempo em que eu sofria como torcedora do esporte nacional. Hoje, tal qual na política, deixo o assunto pra quem entende de verdade. Já joguei futebol (pelo menos tentei). Conhecia pelo nome, time e posição, muitos dos jogadores do campeonato estadual, nacional e, por que não dizer, internacional. Mas hoje, sinceramente, não me emociona tanto assim. Gosto de ir ao estádio, é divertido. Gosto de ver um jogo bem jogado, jogadores talentosos, times com técnica e tática. Mas sei perceber o momento onde se separam a diversão e a paixão. Não abro mão do senso crítico na hora de pontuar e reconhecer as falhas dos times. Do "meu" e dos outros. Não entendo porque as pessoas insistem em dar voltas sobre algo cuja graça, suponho, está em não se chegar a um consenso. Nada contra a disputa saudável. Mas hoje não se discute a superioridade de um time em campo. Depois do final de uma partida, se você quiser saber quem foi o melhor em campo, como foi aquele chute ou aquela defesa espetacular que você perdeu porque foi o escolhido pra pegar a cerveja na geladeira, esqueça. Recorra aos melhores momentos na TV, ou na internet. Para aqueles que se autodenominam torcedores, deixou de ter importância. Os comentários restrigem-se a acusações sobre quem se vendeu, quem subornou, onde mora o juiz que a torcida vai pegar. É macumba. É mala preta, rosa, verde, amarela, um arco-íris de malas sem fim. Não vou nem mencionar aqui os xingamentos, insultos e afins. As pessoas simplesmente se estranham em nome de uma "paixão". Hoje, um amigo (tricolor, diga-se de passagem) que não vejo há muito tempo, falou comigo através de uma das redes sociais. Perguntou como eu estava. Devolvi a pergunta, ao que ele respondeu: "Estou ótimo, o dia ontem foi perfeito, o dia hoje está mais colorido. Tudo na mais Santa Cruz" (Tradução: Meu time venceu, por isso sou a pessoa mais feliz do mundo) E acrescentou: Você deveria estar feliz também. Deveria?? Até deveria, mas por outros motivos. Pimeiro que nem torço pelo time em questão. Reconheço o mérito, parabenizo, mas infelizmente, ou felizmente, a final do Campeonato Pernambucano de 2011, aliás o campeonato inteiro, não acrescentou nada a minha existência. Exceto pelo tempo destinado a escrever essas linhas. Os mais fanáticos que me desculpem. Não concordo, mas respeito. Cada um com seu cada um. É só que eu me recuso a depositar a razão da minha felicidade nas mãos (ou nos pés) de quem quer que seja.

Foi mistério e segredo, e muito mais

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"E era um cão vagabundo
E uma onça pintada
Se amando na praça
Como os animais."

O que você está fazendo?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Eu estava em paz quando você chegou."

Fico quieto.

sábado, 30 de abril de 2011

"Fico quieto. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, "embonitar" a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito."

Caio Fernando Abreu

Porque foste o que tinha de ser

domingo, 24 de abril de 2011

"Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser."


Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Sobre o tempo de cada coisa

"O que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto."

O Quereres

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim


*Como disse hoje um amigo, Caetano é massa! =)

She

quarta-feira, 13 de abril de 2011



... She may be the mirror of my dreams.


A smile reflected in a stream


She may not be what she may seem


Inside her shell...

Definições

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"SAUDADE é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego.PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair do seu pensamento.INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára.INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista (o filme).VERGONHA é um pano preto que você quer pra ser cobrir naquela hora.ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.RAIVA é quando o cachorro que mora com você mostra os dentes.TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração.FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma.AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele.PAIXÃO é quando apesar da palavra "perigo" o deseja chega e entra.AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor não sei explicar."



*Não tenho certeza quanto a autoria do texto, porém tenho que elogiar a simplicidade e precisão de algumas "definições". Muito criativas. Geniais.

Bom é quando você sente todas elas praticamente ao mesmo tempo.

Parafraseando a cantora: "Se por acaso morrer do coração, é sinal que senti demais"

Alquimista de mim mesmo

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Não, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus..." Clarice Lispector

Sobre a dor compartilhada

segunda-feira, 21 de março de 2011

É porque ao sentir a dor de alguém, você automaticamente para de apiedar-se de si mesmo. Porque existem dores reais. E mesmo que, por um momento, teu único desejo seja alguém pra compartilhar as tuas próprias dores, ainda que em absoluto silêncio. Por mais que você só queira um pouco de colo, e alguém pra te alisar os cabelos e te fazer sentir gratuitamente querida. Ao se deparar com uma realidade tão crua, aquela dorzinha incômoda passa a ser um pequeno detalhe. Porque existem dores mais reais. E você vira o colo de alguém, em absoluto silêncio, enquanto lhe alisa os cabelos, "querendo" gratuitamente. Até que tudo passe. Vai passar. É o que você se permite dizer. Repetindo num mantra sussurado, na tentativa de convecer, mais a você que ao outro, de que tudo vai ficar bem.

Teus olhos abrem pra mim...

sexta-feira, 18 de março de 2011

"...todos os encantos bons...
...Eu vi você passar levando meu encanto
Caminho sem saber de mim
Eu vivo sem pensar
Se sou só ou sou mar."

A verdade é que ...

terça-feira, 15 de março de 2011

... A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar.

Antoine de Saint-Exupéry

Infinito...

quinta-feira, 10 de março de 2011

... Particular

Eis o melhor e o pior de mim.
O meu termômetro, o meu quilate.
Vem, cara, me retrate.
Não é impossível.
Eu não sou difícil de ler.
Faça sua parte.
Eu sou daqui, eu não sou de Marte.
Vem, cara, me repara.
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim.
Só não se perca ao entrar...
No meu infinito particular.
Em alguns instantes.
Sou pequenina e também gigante.
Vem, cara, se declara.
O mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder.
Olha minha cara.
É só mistério, não tem segredo.
Vem cá, não tenha medo.
A água é potável.
Daqui você pode beber.
Só não se perca ao entrar...
No meu infinito particular.

Marisa Monte

Quem sai aos seus não degenera

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Era sábado de manhã e eu liguei pra ele. Depois de me explicar todo o procedimento de instalação de um bujão de gás, pelo telefone, ele perguntou surpreso: "E você comprou um bujão?". Respondi que sim, muito orgulhosa de mim mesma: "As pessoas precisam evoluir, pai?". Ele respondeu sorrindo: "Muito bem". Acho que também ficou orgulhoso de mim. Depois de anos de uma comunicação ruidosa, conseguimos, se não falar a mesma língua, ao menos, nos fazer entender. O tempo tem esse poder de aperfeiçoar as relações verdadeiras. Acho que hoje, finalmente, consigo entender o meu pai. Porque, pensando bem, não deve ter sido fácil pra ele quando eu nasci. Não por inexperiência com crianças, meu irmão já existia, por inexperiência com meninas. Meu pai é o filho mais velho de uma família de sete irmãos, todos homens. Durante algum tempo, conviveu com a mãe, as tias e avós. Saiu cedo de casa pra estudar e trabalhar. Fez faculdade, morava numa república de estudantes. Apesar de responsável, diz a lenda que gostava da boemia, era o maior pé-de-valsa da região. Aí vieram as namoradinhas, até conhecer minha mãe. Foi quando fez promessa pra casar com ela. Meu pai conviveu com mulheres, mulheres “formadas”. Sobre meninas ele não entendia nada. Quando nasci, uma bebê gordinha, que dormia mais que tudo, ele deve ter ficado se perguntando o que fazer com aquele ser estranho. Que botão poderia apertar sem que eu me quebrasse. Ele sempre foi aquele pai que ficava na torcida dos jogos escolares, na platéia, aplaudindo, todo orgulhoso. Mas herdou, por motivos que a psicologia tenta explicar, uma falta de jeito singular em demonstrar o que sente. Por azar, ou sorte, ou até mesmo por culpa dele, eu saí essa pessoa assim, teimosa, cheia de opinião, prática, metida a independente (desde cedo), questionadora, inteligente (sem falsa modéstia), abusada e com essa falta de jeito singular em demonstrar o que sinto. Como minha mãe sempre fala: dois bicudos não se beijam. Hoje penso no quanto deve ter sido difícil pro meu pai, me ver ali, indo e vindo, acertando, errando, quebrando a cara, crescendo, sem que ele pudesse interferir muito. Acho que desejou muitas vezes que eu tivesse continuado uma bebê gordinha e dorminhoca. Era mais fácil. Só alimentar, embalar no colo, que ficava tudo bem. Quantas coisas ele deve ter pensando e calado. Quantas coisas ele deve ter dito sem pensar. O mesmo valeu pra mim. Se meu pai não sabia como chegar até mim, eu do meu lado, cuidei muitas vezes em colocar alguns tijolos no muro que nos separava. O tempo passou, e eu virei mulher. A psicologia diz que mulheres que não tem um relação bem resolvida com o pai tendem a ter relações amorosas conturbadas. Pensei: isso explica muita coisa. Mas por essas ironias da vida, que nos leva pelos caminhos mais estranhos, meu pai protagonizou o gesto de amor mais bonito que presenciei em toda a vida. Ele segurou a barra de uma família inteira, sozinho. Ele cuidou. Ele vigiou. Ele assumiu a responsabilidade pra si. E segurou a onda, pra proteger três filhos da dor, enquanto cuidava em lutar pela vida da mulher com quem ele, um dia, prometera casar. Naquele dia, quando vi meu pai, num quarto de hospital, abraçado as pernas da minha mãe, sem caber em si de tanta felicidade por ela estar se recuperando, eu pensei que seria feliz se um dia encontrasse alguém que me amasse daquele jeito. Por essas ironias da vida, meu pai hoje chora por tudo. Igual a mim. A dor serviu pra nos aproximar de alguma maneira. Hoje, vejo o quanto ele abdicou de si e de muitos dos seus preceitos pela nossa família. Tanto que me apoiou, ainda que silenciosamente, em momentos nos quais o desapontei. Acho que sabia, sempre soube, que eu era capaz de aprender com meus erros, e que minha consciência sempre fora castigo suficiente, maior que qualquer sermão. A ele caberia somente estar ali, pra quando eu precisasse. Porque mais cedo, ou mais tarde, eu sempre preciso. Ele evoluiu. Hoje, se derrete todo quando Lívia lhe chama de "vovô". Ela é a segunda menina na vida dele. O pessoal lá de casa sempre faz piada. Eu acho graça. É que me alegra saber que esse "ser" sempre esteve ali, ao meu lado, ainda que, em alguns momentos, eu não conseguisse enxergá-lo.
A você, todo o meu amor, sempre.

Só o amor sabe os seus

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011



Essa música produz um efeito ímpar, simples e gostoso de ouvir, tipo um dois-pra-lá, dois-pra-cá. A letra e a voz da cantora então, sem comentários.


Fica

domingo, 30 de janeiro de 2011

"Mas fica, meu amor. Quem sabe um dia, por descuido ou poesia, você goste de ficar. "

Hoje eu vou ficar aqui, esperando você passar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

E eu fiquei aqui esperando você passar. E você passou. Passou como todos os outros que um dia vieram. Passou o tempo. Passou da hora. Passou do ponto. Passou por mim. Acho que no fim das contas, toda mulher tem em si um lado, ainda que bem velado, daquelas mulheres que só dizem sim. De fazer as vontades e falar meias verdades. "É que estar apaixonado é um vício bom, um mal desejado e querido. E o mais impressionante na paixão é que ela acaba. Derradeiramente ela acaba." E fim.

Ela faz cinema

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri...
...Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual.
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim...
...Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz...
...Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração...
...Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim."

Como ela consegue?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Todos perguntam: E aí? Alguma emoção? Alguma palpitação? Algum calor? Frio na barriga? Algum incômodo? Alguma coisa, pelo amor de Deus?! Ao que ela sempre responde, um pouco impaciente, com um audível não. Nada. Nadinha. As pessoas estranham. Como ela consegue ser assim? Nem ela sabe responder. Só sabe ser assim. Ele veio. Viram os fogos. Abraçaram-se. Desejaram-se coisas boas. Conversaram como grandes amigos que sempre foram, desde o dia em que se conheceram. Ela riu porque ele chorou. Não um sorriso crítico. Adivinhando que ele choraria, ele sempre chora, sorriu porque algumas coisas não mudam. Ele riu quando ela acordou mal-humorada, incomodada com o barulho. Não um sorriso irônico. Adivinhando que ela acordaria com o barulho, ela sempre fica de mau humor quando acorda cedo, sorriu porque algumas coisas não mudam. Nada explica como os sentimentos se modificam. Talvez eles tenham consciência da importância que um teve na vida do outro. E tenham aceitado que é impossível apagarem-se de suas histórias. E resolveram cultivar o carinho e o respeito que existe, e que ambos visivelmente sentem. A recíproca é muito verdadeira. O fato é que ele se sentiu feliz por estar ali, sendo parte da família. E ela ficou feliz por ele ter vindo. Foram horas agradáveis. Como foram, durante muito tempo, as horas, antes de tudo ter um fim. Depois, despediram-se com um longo abraço. Ela falou pra ele ter cuidado. Pediu para que ligasse quando já estivesse em casa. Ele respondeu que sim, e partiu. Como ela consegue? Se, algum dia, alguém souber a resposta, por favor, sinta-se a vontade para explicar. E ela lhe será eternamente grata.

Sobre os sonhos quando se realizam...

É tudo muito surreal. Aí eu embarquei, literalmente. Por um momento você até lembra a música e pensa “entrei de gaiato no navio...”. Mas quando você se depara com aquele mar tão azul, mas azul mesmo, a única coisa que vem em mente é “quando é mesmo que eu venho novamente?”. O lugar faz jus ao título de paraíso. Realmente bonito de viver. Minha sobrinha de 1 ano, quando está feliz distribui beijos. Pra ser sincera, senti falta de alguém pra distribuir beijos a cada momento em que eu me sentia plenamente feliz. Lá, fatalmente para o poeta, você descobre que é impossível dar em alguém mais beijinhos que os peixinhos a nadar no mar, sem contar as tartarugas, arraias e tubarões. Na boa, eu passaria horas e horas ali. Mergulhando. Lá embaixo você se concentra apenas em respirar e não perder nenhum detalhe. Não há barulho. Nenhum pensamento. Nada incomoda. Só sairia pra ver o pôr-do-sol. O de lá, por sinal... indescritível. Acredite você no que acreditar. Em Deus, nas forças do além, nas forças do Universo, ou como queira chamar. Naquele lugar fica difícil não pensar que existe muito mais entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. O certo é que, depois daquela viagem, decidi que quero morar na praia, comer peixe e salada, beber água de coco, ficar balançando na rede, de preferência, com a minha companhia perfeita. E mergulhando, vez ou outra, na agradável companhia dos peixinhos coloridos.
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